Verdade é o que você considera.
ANUTET
Vemos – e não sabemos nada.
Nunca estivemos tão informados. E nunca foi tão pouco confiável.
A mentira era mal feita antes. Hoje é perfeita.
Imagens, vozes, vídeos – sintéticos, plausíveis, para as massas.
Produzidos em segundos, espalhados para bilhões de pessoas.
O que resta é a sensação: "Deve ser verdade."
E exatamente essa sensação é usada contra você.
Não é mais possível obter verdade da superfície.
Quem hoje acredita cegamente, agirá cegamente amanhã.
E quem age cegamente, é usado – por aqueles que promovem a loucura.
Você só pode saber o que se revela a você e o que você mesmo vive. Essa é a única verdade que lhe restará.
ANUTET
E em cada suposição você diz em algum momento: "Eu acredito."
O que você considera verdadeiro molda sua imagem do mundo. Não a realidade em si controla seu pensamento, mas o que você acredita sobre ela.
Assim começa a responsabilidade. Pois a verdade não é uma instância neutra. É uma escolha.
O que você não verifica, deve acreditar. O que você não pode ver, muitas vezes não pode verificar.
E quem quer controlar, primeiro direciona para onde deve ser acreditado. Não com mentiras – mas com imagens, com omissões, com contexto.
Esqueça tudo a partir de "Bom dia".
Você só pode saber o que vive diretamente. Tudo o mais permanece afirmação. E cada um que a faz persegue um propósito – consciente ou inconscientemente.
Inimigo é quem cria imagens de inimigos.
ANUTET
Boa propaganda não é reconhecível. Não direciona com violência, mas com habituar. Atua por repetição, por silêncio, por confiança.
Quanto mais complexa a mundo, mais dependemos de informações que não podemos verificar. E é exatamente aí que começa a distorção da verdade.
Pois quem tem poder de interpretação pode moldar a realidade. Não mentindo, mas decidindo o que é mostrado, o que não é – e com que frequência.
Não há um plano secreto, mas pura dinâmica própria: pessoas que reconhecem o mesmo benefício de forma independente – e o utilizam.
Quem tem poder de criação seria tolo em não usá-lo a seu favor.
E quem sai perdendo não é alvo, mas dano colateral – sem voz, sem palco, sem narrativa.
A verdade não falta apenas porque é suprimida. Falta também porque ninguém quer vê-la. Um pacto silencioso entre emissores e receptores: Não nos mostre nada que tire nossa paz – então acreditaremos no resto.
Assim se cria o vácuo, onde a violência pode ser preparada, sem que ninguém sinta responsabilidade. Porque ninguém olhou de perto. E porque isso foi desejado – de ambos os lados.
Mas e se a verdade faltar – ou for distorcida?
Quem é cego, não deve pegar uma arma.
ANUTET
Então pessoas estão em trincheiras, armadas contra outras, que lhes foram declaradas inimigas. Não por conhecimento próprio, mas porque lhes foi dito. Por mídias, aparelhos, vozes com alcance. De ambos os lados.
Assim soldados são cegados: por desinformação, por meio conhecimento, pela carga emocional de um inimigo inventado. E quando se enfrentam na trincheira, ambos acreditam estar certos – porque nunca verificaram por si mesmos.
Eles não lutam por si. Lutam por interesses alheios. E morrem por uma história que lhes contaram.